sábado, 2 de junho de 2012

Poème de Brecht lu dans toutes nos séances de partage

Raquel a lu le poème de Brecht, plusieurs fois cité dans le Train des 1000, notamment par le Premier Ministre belge, dans son discours prononcé à Birkenau, pendant la cérémonie d'hommage. Comme à Auschwitz, dans nos séances le message a été clair: toute lutte pour un monde meilleur passe par la lutte contre l'indifférence.
Primeiro, levaram os comunistas
Mas eu não me importei, porque não era nada comigo.
Em seguida, levaram alguns operários
Mas a mim, não me afetou, porque eu não sou operário.
Depois, prenderam os sindicalistas
Mas eu não me incomodei, porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir, chegou a vez de alguns padres
Mas como nunca fui religioso também não liguei.
Agora, levaram-me a mim.
E quando percebi, já era tarde.
Berthold Brecht

Raquel a lancé un appel

No último dia, nós também visitámos o Parlamento Europeu, (...) onde tivemos um pequeno debate com Inês Zuber e João Ferreira, dois Portugueses que là trabalham.
Uma coisa que achei mais importante foi o paralelismo que foi feito entre a crise dos anos 30 e a crise dos nossos dias. E ao que é que levou a crise dos anos 30? Ao eixo ditatorial europeu! Isto leva-nos a pensar que realmente hoje em dia não estamos livres de algo do género acontecer. (...)
Hitler é o grande culpado (…), mas a ascensão ao poder foi feita através do apoio do povo, das pessoas. (…) As pessoas não estavam cientes do que realmente estava a acontecer mas foram as pessoas que deram o poder.
(…) É muito importante nós termos um conhecimento do passado para que não aconteçam novos erros no presente. (…) Não podemos deixar que a nossa voz seja abafada, que fiquemos no nosso lugar.

Nesta viagem, também se fez referência aos valores de Abril, que estão um pouco esquecidos.(…) O que se apela mais é nós termos uma posição: dizer não à indiferença!

Sílvia parle des expériences médicales

O doutor Josef Mengele esterilizava as mulheres(…)no campo. O objectivo era essencialmente acabar com a raça judia. Para além de eles matarem os adultos, as mulheres, os homens, acabavam com os bebés. Era uma forma de ter a certeza que, naquele campo de concentração, eram irradicados todos os judeus.
Outro tipo de prisioneiros utilizados foram (os irmãos gémeos).
Se (Josef Menegele) conseguisse descobrir a forma de fazer somente nascer gémeos, era uma forma extremamente viável de duplicar a raça ariana no mesmo período de tempo(...).

Para os nazis, a sociedade não estava perfeita com aqueles judeus, com aqueles ciganos, com aqueles homossexuais... Então, solução para criar uma sociedade perfeita na mentalidade nazi? Concentrá-los todos num campo e quem não obedecer às "nossas" ideologias, quem não quisere ser como nós, é morto. Isto não pode ser assim!

Esta viagem foi essencialmente para mim uma construção de uma nova atitude, de um novo pensamento perante situações do nosso dia a dia. (…) Não podemos por (ninguém) de parte. Foi essa a mensagem que eu interiorizei: toda a gente, por muito diferente que seja, essa pessoa, com o resto da multidão que a rodeia, (…) eles fazem uma mentalidade perfeita, fazem uma sociedade perfeita. E é assim que devíamos ser. Eu sou diferente de ti, mas tu e eu somos perfeitos.

Pour Mafalda, Auschwitz a été l'enfer

O que é que acontecia nestas câmaras de gaz? Diziam às pessoas que elas iam tomar exclusivamente um banho!
(Para mim, esta) foi uma viagem ao inferno. Não porque é o inferno agora, mas sim o inferno no momento em que as pessoas lá estiveram. O que elas viviam era um inferno: o trabalho forçado, o serem exterminadas, perderem as suas famílias, não serem alimentadas… Nós não sabemos o que é isso. (…) Estar no local, ver como é que eles eram tratados, o que é que eles faziam, os brinquedos todos partidos, raparem o cabelo às mulheres, ver como eram tão magros...

 É horrível mesmo, e sem dúvida que nos ajuda a desenvolver a nossa opinão, a nossa consciência e saber que temos que continuar aqui a passar o nosso testemunho para que não aconteça nada do género outra vez.

Inês pense de l'holocauste a été une erreur de l'Histoire

O Holocausto foi um erro na História e está nas nossas mãos não deixar que ele volte a acontecer. Quem era Hitler para identificar intrusos na sociedade e escolher a raça ariana como uma raça primordial?
Nós olharmos para as ruinas de crematórios , de salas de exterminação, é de facto horrível.

No entanto, o que me marcou mais não foi a nossa ida ao campo de concentração, foi o teatro, que era com maquetezinhas, em que o cenário estava montado no chão, (…) e que retratava um dia no campo de concentração. E nós conseguíamos ver (os presos) a apanharem choques no arame farpado quando tentavam fugir, a serem espancados…

Eu deixo aqui a questão: será que um dia isto voltará a acontecer? Isto foi horrível, foi uma atitude desumana, nunca mais pode voltar a acontecer!

Katarina valorise les témoignages des survivants

À entrada de Auschwitz I, a placa ("Arbeit macht frei" - o trabalho liberta) quer dizer o trabalho torna-nos livres. As pessoas que iam para aqueles campo nunca mais sairiam de lá. Era para cumprir trabalhos forçados. A ideia dos Alemães era acabar com aquela raça. Portanto, é difícil compreendermos o motivo de eles dizerem que os trabalho os ia tornar livres.

Em Auschwitz I, vimos 2 toneladas de cabelo de mulheres, 48 000 pares de sapatos, roupas de crianças, os brinquedos delas partidos… e leva-nos a pensar, na minha opinião, como é que o homem fez uma coisa tão cruel e foi capaz de fazer isto a um povo, só porque tinham uma mentalidade diferente, tinham costumes diferentes.

(…) Hitler não fez isto sozinho, tinha os seus seguidores. Nós conhecemos os locais, mas acho que o mais importante foi conhecermos testemunhos vivos para realmente conhecermos um pouco do que se passou.

Elisa dit que nous avons tous une fonction

Nós, os que participamos no comboio dos 1000, tivemos a oportunidade de contactar com pessoas que sobreviveram ao Holocausto, para elas nos passarem o testemunho, para que nós hoje pudéssemos estar aqui, também para vos divulgar um pouco do que aprendemos e para vos passar o nosso testemunho pessoal(...).

O que mais me marcou não foi ter estado nos campos de concentração; là não conseguimos sentir o que aquelas pessoas sentiram. Com os testemunhos das pessoas que lá estiveram e que sobreviveram (…) nós aprendemos o que realmente foi, o que realmente aconteceu. E no comboio dos 1000, tivemos a oportunidade de contactar com um antifascista português, o Sr. José Pedro, que nos falou da época da ditadura fascista de Salazar e que nos contou como resistiu.

Nós ao entrarmos nesta viagem, ao participarmos no comboio dos 1000, também nos estamos a assumir como jovens anti-fascistas. A nossa função é impedir que situações que aconteceram durante a 2ª guerra mundial voltem a acontecer, com a ajuda destes testemunhos, destas pessoas, do que nós vivemos em Auschwitz.